segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Não, não tenho muito risco por aqui...

Por Mauro Nadruz
Você acabou de ler o maior risco que a segurança pode ter: quando simplesmente o gerente de uma empresa ou síndico afirma que “não tem muito deste negócio de risco no meu negócio ou moradia...”. Ora, o fato de assumirmos que simplesmente podemos ter nossa parcela de comprometimento com a segurança,
de forma direta, sem nenhum tipo de previsão, sem nenhum tipo de avaliação, já é algo execrável há décadas.



Exceções à parte, daquelas referentes a locais muito pequenos, tomar a decisão de estabelecer a segurança do estabelecimento, requer informações e conhecimento que, na maioria das vezes, sequer estão disponíveis e necessariamente, envolvem anos de estudo e domínio técnico, além da experiência provida pelos inúmeros exemplos do cotidiano em locais similares.
O primeiro aspecto que precisa ficar bem claro é deixarmos de lado a conotação negativa do termo “risco”. Risco não é um problema, é algum evento que pode acontecer no futuro, logo, trata-se de uma possibilidade de perda, e não de uma certeza de perda. Se, na realização do levantamento técnico, for detectado alguma informação que envolva um problema em potencial, que possa vir a acarretar em uma ameaça eminente com custos de reposição altos ou irreparáveis, cabe ao responsável alocar analistas profissionais para gerar um planejamento estratégico de prevenção de perdas.
O gerenciamento de riscos, conceituando de uma forma simples, é todo o diagnóstico científico dos riscos a que pessoas e patrimônio estão sujeitos, bem como as oportunidades de melhoria, sejam elas formadas por necessidades de implantação de novas normas, treinamento ou instalação de recursos como alarmes, câmeras, controles de acesso, etc. Estes últimos auxiliarão como ferramentas. Após este diagnóstico, normatizam-se procedimentos, implantam-se os recursos e realiza-se o trabalho de treinamento de todos os envolvidos.
Óbvio dizer que seria muito fácil, “transformar o mercadinho da esquina, num Fort Knox”, entretanto, as conseqüências seriam no mínimo, a perda de objetividade e até da falência do comércio, por excesso de salvaguardas. Portanto, o diagnóstico de segurança, sendo a primeira parte do processo, já aponta com eficiência, a maioria dos problemas e soluções, visando-se a funcionalidade estável, segurança e tranqüilidade, projetando-se de forma concisa e objetivando baixo custo de implantação e manutenções futuras.
Quantas vezes, é observado em locais onde a determinação da segurança, foi realizada pelo proprietário ou instalador? As conseqüências são berrantes e quase que imediatas, como a simples implantação de câmeras inapropriadas para a função ou mal posicionadas, infraestrutura pobre, provocando falhas nos sistemas após três ou quatro meses de sua instalação, ou ainda, após todos os recursos disponibilizados, os usuários e funcionários mantendo as mesmas falhas em seus procedimentos. Por isso, quando ocorre um delito, ficam perplexos diante da fragilidade, mesmo com todo o aparato eletrônico recentemente instalado.
O processo de implantação de uma segurança eficiente pode ser resumido da seguinte forma: Identificar, analisar, planejar, implantar, monitorar e resolver falhas, tudo isto com um centralizador – a comunicação constante.
O cliente sempre tem suas características únicas, como personalidade, localização, níveis de criminalidade  regional, layout da construção, procedimentos executados, etc. tornando cada local diferente até de seu vizinho. Todavia, não é isso que acontece.
A crescente demanda de investimento em proteção provocou um aumento extraordinário de novas empresas no ramo, inclusive, muitas delas provenientes de outros Estados. O problema não está no número de crescimento e sim nas qualificações.
Para se ter uma idéia, em recente levantamento entre os principais distribuidores de equipamentos, observou-se um aumento na ordem de 300% de novos pedidos de cadastro de empresas de implantação para compra de equipamentos, inclusive muitas, atuando no mercado de informática, nos últimos quatro anos. Objetivamente falando, uma média de 240 novas empresas, por ano, só aqui na região da grande Porto Alegre. O resultado: mais “técnicos” com o entendimento na conexão dos aparelhos, porém, sem nenhum conhecimento de avaliação das reais necessidades, riscos e conseqüências, proporcionando aos seus clientes uma mera sensação de segurança.
Com uma visão clara e madura dos riscos associados a cada empreendimento, prédio ou usuários, fica evidente onde devem ser concentrados os esforços para garantir o sucesso da proteção e conseqüente bem estar.


Mauro Nadruz - Gestor em Segurança da Activeguard, pós-graduado em gestão estratégica da segurança, analista e professor.

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